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Internet: a bola de cristal dos tempos modernos?

By admin | Março 23, 2008

Quando era criança, achava o máximo quem podia ostentar em seu rosto um belo óculos de grau. Cresci vendo meu próprio pai usar óculos. Sequer conseguia imaginá-lo sem a armação de ferro e as lentes. Julgava um sinal de responsabilidade e respeito. Besteira de criança. A vontade era tanta que pegava os próprios óculos velhos de meu pai, arrancava as lentes, e ficava brincando, fazendo de conta que eu realmente precisava utilizá-los. Horas na frente do espelho.

E como imaginação de criança, cansei de importunar meu pai pra me levar ao médico porque achava que eu precisa dos meus próprios óculos. Acho que de não mais aguentar minhas súplicas, um belo dia fomos ao oftalmologista. Eu e meu pai. Do jeito que eu sempre imaginei. Em pouco tempo, após a consulta e sentir meus olhos arderem por causa dos colírios para dilatação de pupila, necessários para o exame de vista, a setença estava dada pelo médico: 2 graus de miopia!

Saindo do consultório, não conseguia controlar minha alegria. Queria ir logo mandar fazer os meus primeiros óculos. Os dias passaram devagar até poder ir buscá-los. Desde então, quebrei várias armações. Troquei de óculos várias vezes. Cores, tamanhos, marcas, preços e lentes diferentes. As fotos antigas sempra guardavam as lembranças de um óculos do passado. E cada um tinha relação muito próxima com o final de minha infância, adolescência e juventude. Com o passar do tempo, entretanto, eles parecem que foram perdendo a graça da infância. Não podia fazer quase nada sem estar com eles o tempo todo no rosto. E então procurei uma alternativa interessante: lentes de contato. Foi outra descoberta! Parecia ter nascido novamente. Que alívio não precisar mais usar os óculos! Uma verdadeira sensação de liberdade. Mas as lentes de contato também tem problemas. A manutenção é tediosa, o preço ainda é alto e, às vezes, o desconforto é grande quando alguma coisa entra, inadvertidamente, nos olhos. Foi quando descobri as cirurgias de correção.

Conversei com um amigo de faculdade que tinha o mesmo problema e que criou coragem para encarar a cirurgia. Mas ele tinha me alertado: não procure saber de nada na Internet sem antes procurar procurar um médico. O motivo? O relato indignado de outra pessoa que tinha o mesmo problema. Ancioso por fazer a cirurgia e se livrar de qualquer artifício para poder enxergar normalmente, o rapaz procurou na Internet para conhecer melhor a respeito dos procedimentos e riscos. A constatação acabou provocando pavor no pobre míope. Viu fotos horríveis, depoimentos de pessoas que diziam ter ficado cegas e com seqüelas terríveis. Ainda com a coragem que lhe restou, o rapaz foi a uma consulta tentar busca mais informações, mas a cara de terror fez com que o médico logo lhe perguntasse porque tanto pavor. O médico explicou o quão simples e seguro é o procedimento e ainda falou: “Ah, essa Internet. Ainda vou ver o dia que um paciente vai vir aqui querendo fazer cirurgia em si mesmo porque viu na Internet tudo sobre o assunto”.

Duas conclusões importantes é possível retirar dessa estória toda. A primeira está relacionada ao fato de se desmistificar que a Internet é um “óraculo que tudo sabe e tudo vê”. Muitos usuários tem com premissa achar que qualquer informação publicada na Internet é verdadeira, o que provoca uma perigosa sensação de respaldo no que se aprende a partir da grande rede. Muito embora exista uma vasta quantidade de informação útil e verdadeira na Internet, é muito fácil publicar qualquer coisa e colocar essa informação à disposição de milhões de usuários. Não à toa é comum se ver em páginas Web e listas de email notícias fantasiosas que viram “fofocas em grande escala”: são casos de horror, visões religiosas, assassinatos, doenças de outro mundo, vírus que passam do computador para as pessoas, mensagens alienígenas e muito mais.

Alunos, professores, técnicos e profissionais dos mais variados segmentos de atividade têm, hoje, na Internet, a sua principal fonte de notícias e de informação. Entretanto, em poucas palaveas, é preciso que o usuário conectado à Internet saiba, além de usar suas ferramentas, discernir a qualidade e a confiabilidade das informações advindas do mundo virtual. Aí sim, a grande rede, servirá, de fato, como uma poderosa fonte de informações.

E a segunda lição? Ia esquecendo… acho que agora estou preparado para encarar mais uma etapa de minha vida: me livrar de vez do sonho de criança em ter que usar os óculos para o resto da vida.

Topics: Segurança |

One Response to “Internet: a bola de cristal dos tempos modernos?”

  1. Éverton M. Arruda Jr (Notrev) Says:
    Março 25th, 2008 at 7:14 pm

    Boa sorte com a cirurgia!

Comments